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Parte dos bens da Busscar é avaliada em R$ 109 milhões

Perito avalia Tecnofibras, Climabuss e imóveis da montadora que devem ser leiloados ainda neste ano. Ex-funcionários fazem manifestação nesta segunda para cobrar mais agilidade no caso

O perito nomeado pela Justiça protocolou nesta quinta a avaliação de um pacote importante de bens da Busscar. A expectativa é de que Tecnofibras (avaliada em R$ 73.744.144,50), Climabuss (R$ 5.088.282,04) e uma série de bens não operacionais – boa parte deles imóveis, como a casa onde está o museu da empresa, na rua Blumenau, e uma área na avenida Santos Dumont, que devem valer cerca de R$ 31 milhões – rendam juntos, pelo menos, R$ 109,8 milhões em um leilão.

O dinheiro vai se somar ao restante arrecadado ao longo dos últimos 12 meses para pagar a dívida da montadora de ônibus, que nesta sexta é de R$ 1,623 bilhão. O valor inclui os créditos devidos aos trabalhadores, que nesta sexta fazem uma manifestação para cobrar mais agilidade da Justiça e lembrar um ano da falência da empresa. 

No dia 27 de setembro de 2012, o juiz Maurício Cavallazzi Povoas, então responsável pelo caso, assinou a sentença que falia a Busscar.

Próximos passos

Assim que analisada pelo juiz Marco Augusto Ghisi Machado, da 5ª Vara Cível de Joinville, a avaliação vai passar por um período de contestações até ser homologada. Só então será aberto o processo de venda dos bens, o que deve ocorrer nos próximos dias.

O leilão será em sistema de pregão. Desta forma, os interessados apresentam propostas e, só depois, participam de um leilão no qual ganha o maior valor. Por isso, os R$ 109,8 milhões são apenas uma expectativa – o valor pode aumentar, caso a concorrência seja acirrada, por exemplo, ou até não ser alcançado caso não haja interessados.

— Por enquanto, oficialmente, cinco interessados na Tecnofibras já se manifestaram. Mas ninguém fez o mesmo em relação à Climabuss — conta o administrador da massa falida, Rainoldo Uessler.

— Nos outros bens, que são muitos imóveis, como salas comerciais, acreditamos que o interesse maior deva aparecer no dia do leilão — acrescenta.

Já em relação aos pagamentos, Uessler explica que eles dependem da consolidação da lista de credores, etapa que ocorre paralelamente à avaliação e venda de bens.

Venda da fábrica só em 2014

O principal bem do Grupo Busscar, o parque fabril da montadora de ônibus, está em fase de avaliação do perito e só deve ser vendido no ano que vem.

Máquinas e equipamentos estão embalados em plástico para não sofrerem com a ação do tempo, e profissionais contratados pela massa falida fazem a manutenção periodicamente.

A área de produção está limpa e organizada. A aparência é de que, a qualquer momento, o local, que já chegou a contar com 5 mil funcionários, volte a produzir ônibus. A falta de vida e o barulho do vento dificultam a tentativa de imaginar que, em 1995, a fábrica respondia pela produção de 4.146 carrocerias.

Pelo menos três interessados já procuraram oficialmente a equipe de Rainoldo Uessler para ter mais informações sobre o parque fabril. Thaís Moura, assessora jurídica do administrador da massa falida, conta que eles se surpreenderam com a boa conservação do local.

Os únicos oitos ônibus que ainda estão na fábrica pertencem a clientes e aguardam que eles entrem com ações de restituições para, que sejam retirados do local.

Ao contrário da fábrica, que está lacrada, cerca de dez pessoas trabalham no prédio administrativo. Ex-funcionários, agora contratados pela massa falida, principalmente das áreas financeira e de recursos humanos, cuidam da prestação de contas da Busscar e dos documentos necessários para responder a ações trabalhistas em parceria com o instituto do administrador Rainoldo Uessler.

Eles recebem salários e são pagos com valores provenientes de aluguéis de imóveis e outros bens recebíveis do grupo.

Trabalhadores nas ruas nesta sexta

Desde a decretação da falência da Busscar, Paulo Sérgio da Rocha, 43 anos, tenta se firmar em uma nova carreira. Primeiro, abriu uma distribuidora de bebidas em Ubatuba. Depois, concorreu às eleições para vereador em Joinville e teve 1.378 votos. Agora, planeja trabalhar com empreiteira. Há cerca de um ano, o sustento vem dos serviços de pintura.

Paulo, que era líder de produção, não esquece seus direitos trabalhistas, que somam mais de R$ 100 mil, e engrossa o coro daqueles que vão às ruas nesta sexta pedir por maior agilidade e transparência no processo. O grupo de ex-trabalhadores vai se reunir às 17 horas no estacionamento do Centreventos Cau Hansen e caminhar até o Fórum para chamar a atenção da Justiça sobre a necessidade de mais rapidez no processo.

Ainda que a equipe que administra a massa falida esteja otimista, ainda não há um prazo certo para o pagamento de todos os valores devidos aos funcionários.

 

Fonte: A NOTÍCIA

 

 

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